Página Inicial Data de criação : 09/06/14 Última actualização : 10/01/21 23:23 / 96 Artigos publicados
 

ESCRITOS E DITOS

Manuel Freire, A PEDRA FILOSOFAL de António Gedeão  (ESCRITOS E DITOS) Inserido Sunday 27 September 2009 19:52

 

Bonjour, mon amis. Comment trouvez-vous cette musique, mais ne comprend pas le portugais, j'ai eu l'affection de vous pour traduire la lettre.

 

Poeme, António Gedeão

 

Stone  Philosophe

Ils ne savent pas que le rêve est une réalité de la vie réelle et définie comme quelque chose d'autre,

 comme cette pierre grise où je suis assis et au repos,

 car cette rivière douce en surprises calme,

comme ces grands pins au vert et or remuer,

comme ces oiseaux à crier et à l'ivresse de bleu.

 

ils ne savent pas que le rêve

est le vin, il est en mousse, il est la cuisson,

álacre de compagnie et de la soif, le museau pointu, qui opposent à travers tout

en perpétuel mouvement.

 

Ils ne savent pas,

c'est que l'écran du rêve est la couleur, c'est la brosse, la base, un puits,

Capitel, les arcades, les vitraux, clocher de la cathédrale,

 le contrepoint, la symphonie, le masque de grec, de la magie, qui est cornue d'alchimiste, la carte du monde bien , Rose-des-vents, Infante, caravelle du XVIe siècle, ce qui est du cap de Bonne-Espérance, l'or, la cannelle, feuille d'ivoire avec une épée, rack, pas de danse,

Colombine et Arlequin, passarola battant, paratonnerres, d'une locomotive, d'un bateau festive d'étrave, four, génératrice, le fractionnement de l'atome, le radar, les ultrasons, la télévision, le débarquement de roquettes sur la surface lunaire.

 

Ils ne savent pas,

ou rêve, le rêve qui anime la vie que chaque fois qu'un homme les rêves du monde et des sauts de bornes, que la boule de couleur dans les mains d'un enfant.

Alquimia e a PEDRA FILOSOFAL

PEDRA FILOSOFAL,

um poema de António Gedeão.

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da  vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer


como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos

como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam
como estas árvores que gritam
em bebedeiras de azul

eles não sabem que sonho
é vinho, é espuma, é fermento
bichinho alacre e sedento
de focinho pontiagudo
que fuça através de tudo
no perpétuo movimento


Eles não sabem que o sonho
é tela é cor é pincel
base, fuste ou capitel
arco em ogiva, vitral

Pináculo de catedral
contraponto, sinfonia
máscara grega, magia
que é retorta de alquimista

mapa do mundo distante
Rosa dos Ventos Infante
caravela quinhentista
que é cabo da Boa-Esperança

Ouro, canela, marfim
florete de espadachim
bastidor, passo de dança
Columbina e Arlequim

passarola voadora
pára-raios, locomotiva
barco de proa festiva
alto-forno, geradora

cisão do átomo, radar
ultra-som, televisão
desembarque em foguetão
na superfície lunar

Eles não sabem nem sonham
que o sonho comanda a vida
e que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos duma criança


ANTÓNIO GEDEÃO (RÓMULO DE CARVALHO)

Poeta, professor e historiador da ciência portuguesa. António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho, concluiu, no Porto, o curso de Ciências Físico-Químicas, exercendo depois a actividade de docente. Teve um papel importante na divulgação de temas científicos, colaborando em revistas da especialidade e organizando obras no campo da história das ciências e das instituições, como A Actividade Pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos Séculos XVIII e XIX. Publicou ainda outros estudos, como História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa (1959), O Sentido Científico em Bocage (1965) e Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII (1979).
Revelou-se como poeta apenas em 1956, com a obra Movimento Perpétuo. A esta viriam juntar-se outras obras, como Teatro do Mundo (1958), Máquina de Fogo (1961), Poema para Galileu (1964), Linhas de Força (1967) e ainda Poemas Póstumos (1983) e Novos Poemas Póstumos (1990). Na sua poesia, reunida também em Poesias Completas (1964), as fontes de inspiração são heterogéneas e equilibradas de modo original pelo homem que, com um rigor científico, nos comunica o sofrimento alheio, ou a constatação da solidão humana, muitas vezes com surpreendente ironia. Alguns dos seus textos poéticos foram aproveitados para músicas de intervenção.
Em 1963 publicou a peça de teatro RTX 78/24 (1963) e dez anos depois a sua primeira obra de ficção, A Poltrona e Outras Novelas (1973). Na data do seu nonagésimo aniversário, António Gedeão foi alvo de uma homenagem nacional, tendo sido condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Sant'iago de Espada.


A Pedra Filosofal (Medicina Universal, Lápis Filosoforum) era o principal objetivo dos alquimistas. Segundo a lenda, era um objeto que poderia aproximar o homem de Deus. Com ela o alquimista poderia transmutar qualquer metal inferior em ouro, como também obter o Elixir da Longa Vida que permitiria prolongar a vida indefinidamente. O trabalho relacionado com a pedra filosofal era chamado pelos alquimistas de "A Grande Obra" (ou "Opus Magna", em latim. A lenda da pedra filosofal não existe na alquimia chinesa.

Aparentemente, o trabalho de laboratório dos alquimistas na busca pela pedra filosofal era, na verdade, uma metáfora para um trabalho espiritual. Neste sentido, a transmutação dos metais inferiores em ouro seria a transformação de si próprio de um estado inferior para um estado espiritual superior.

A busca por esta pedra filosofal é, em certo sentido, semelhante a busca pelo Santo Graal das lendas arturianas. Em seu romance Parsifal, Wolfram von Eschenbach associa o Santo Graal não a um cálice, mas a uma pedra que teria sido enviada dos céus por seres celestiais e teria poderes inimagináveis.


 

Link permanente

MENSAGEM, MARIA BETHÂNIA  (ESCRITOS E DITOS) Inserido Sunday 27 September 2009 19:45

Mensagem

Maria Bethânia

Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou
Com uma carta na mão
Ah! De surpresa, tão rude,
Nem sei como pude chegar ao portão
Lendo o envelope bonito,
O seu sobrescrito eu reconheci
A mesma caligrafia que me disse um dia
"Estou farto de ti"
Porém não tive coragem de abrir a mensagem
Porque, na incerteza, eu meditava
Dizia: "será de alegria, será de tristeza?"
Quanta verdade tristonha
Ou mentira risonha uma carta nos traz
E assim pensando, rasguei sua carta e queimei
Para não sofrer mais

Todas as cartas de amor são ridículas,
Não seriam cartas de amor, se não fossem ridículas
Também escrevi, no meu tempo, cartas de amor como as outras, ridículas
As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas
Quem me dera o tempo em que eu escrevia, sem dar por isso, cartas de amor ridículas
Afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas

Porém não tive coragem de abrir a mensagem
Porque, na incerteza, eu meditava
Dizia: "será de alegria, será de tristeza?"
Quanta verdade tristonha
Ou mentira risonha uma carta nos traz
E assim pensando, rasguei sua carta e queimei
Para não sofrer mais

Quanto a mim o amor passou
Eu só lhe peço que não faça como gente vulgar
E não me volte a cara quando passa por si
Nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor
Fiquemos um perante o outro
Como dois conhecidos desde a infância
Que se amaram um pouco quando meninos
Embora na vida adulta sigam outras afeições
Conserva-nos, escaninho da alma, a memória de seu amor antigo e inútil

Link permanente

Inconstância, Florbela Espanca  (ESCRITOS E DITOS) Inserido Sunday 27 September 2009 19:16

Inconstância

 

Florbela Espanca

 

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...
Link permanente

Guardador de rebanhos - Fernando Pessoa.  (ESCRITOS E DITOS) Inserido Sunday 27 September 2009 18:54

Alberto Caeiro, ao escrever o Guardador de Rebanhos estaria verdadeiramente a escrever a história da sua vida?

Esta é certamente uma das questões centrais com que nos deparámos, ao preparar mais um dos livros das Edições do Major Reformado.

 Chegámos a uma conclusão, que só será verdadeiramente compreendida com a leitura da nossa análise. Mais do que poemas, Caeiro escrevia testemunhos para o futuro. Baste que o ouçamos com atenção.

 Fica então para os visitantes do blogue mais uma obra de análise, que esperamos seja de utilidade. Será esse sempre o intuito de as escrevermos - informar e acender o debate, nada mais do que isso, nada menos". 

!há! acima de tudo não esquecer, nunca esquecer!

Link permanente

Nathalie Cardone - Comandante CHE  (ESCRITOS E DITOS) Inserido Thursday 02 July 2009 17:47

 

Revolucionário e líder político latino-americano, cuja negação a aderir tanto ao capitalismo quanto ao comunismo ortodoxo,  o transformou num emblema da luta socialista. Pela aparência selvagem, romântica e revolucionária, Che Guevara significa hoje uma lenda para os jovens revolucionários de todo o mundo, um exemplo de fidelidade e total devoção à união dos povos subjugados

Ernesto Guevara de la Serna nasce na cidade argentina de Rosário no dia 14 de junho de 1928, no seio de uma família aristocrática porém de idéias socialistas. Desde pequeno sofre ataques de asma e por essa razão em 1932  muda-se para as serras de Córdoba. Estudou grande parte do ensino fundamental em casa com a sua mãe. Na biblioteca da sua casa havia obras de Marx, Engels e Lenin, com os quais se familiarizou na sua adolescência.

Em 1947 Ernesto entra na Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires, motivado em primeiro lugar pela sua própria doença, desenvolvendo logo um especial interesse pela lepra. Durante 1952, realiza uma longa jornada pela América Latina, juntamente com seu amigo Alberto Granados, percorrendo o sul da Argentina, o Chile, o Peru, a Colômbia e a Venezuela. Observam, interessam-se por tudo, analisam a realidade com olho crítico e pensamento profundo. Ernesto regressa a Buenos Aires decidido a terminar o curso e no dia 12 de julho de 1953 recebe o título de médico. 

Convencido de que a revolução era a única solução possível para acabar com as injustiças sociais existentes na América Latina, em 1954 Guevara marcha rumo ao México, onde se une ao movimento integrado por revolucionários cubanos seguidores de Fidel Castro. Foi aí onde ele ganhou o apelido de "Che", pela sua forma argentina de falar.

Em 1962, após uma conferência no Uruguai, volta à Argentina e também visita o Brasil. Che Guevara esteve ainda em vários países africanos, principalmente no Congo. Lá, lutou juntamente com os revolucionários antibelgas, comandando uma força de 120 cubanos. Depois de muitas batalhas, terminaram derrotados e no outono de 1965  pediu a Fidel que retirasse a ajuda cubana

Desde então, Che deixou de aparecer em atividades públicas. A sua missão como embaixador das idéias da Revolução Cubana tinha chegado ao fim. Em 1966, junto a Fidel, prepara uma nova missão na Bolívia, como líder dos camponeses e mineiros contrários ao governo militar. A tentativa acabou com sua captura e posterior execução no dia 9 de outubro de 1967.

Os restos do Che descansam no mausoléu da Praça Ernesto Che Guevara em Santa Clara, Cuba.

 

 

 

"Nasci na Argentina; não é um segredo para ninguém. Sou cubano mas também sou argentino e, se não se ofendem as ilustríssimas senhorias da América Latina, sinto-me tão patriota da América Latina, de qualquer país da América Latina, que no momento em que for necessário, estarei disposto a entregar a minha vida pela liberação de qualquer um dos países da América Latina, sem pedir nada para ninguém, sem exigir nada, sem explorar ninguém."

Link permanente